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Ciberataques: Indústria automóvel vulnerável

3 min de leituraInovação
A crescente sofisticação tecnológica da indústria automóvel é reconhecida por todos, mas coloca as empresas do setor na mira de agentes maliciosos e cibercriminosos. Esta é uma das conclusões de um estudo da S21sec, um dos principais fornecedores europeus de cibersegurança.
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De vez em quando, chegam aos noticiários, seja nas rádios ou na TV, reportagens impressionantes sobre ciberataques a várias empresas. O caso do Banco Santander ou da própria TAP foram situações que tiveram amplo destaque no nosso espaço mediático. Noutra área, a indústria automóvel parece ser um dos sectores particularmente vulneráveis a este tipo de atividade criminosa. Na análise que fez da indústria automóvel, ao longo de 2022, a S21sec identificou um aumento significativo de incidentes de diferentes naturezas. Segundo esta empresa, que se dedica à protecção dos seus clientes a ataques informáticos, a maioria das ocorrências detectadas tiveram como fator inicial de entrada a exploração de uma vulnerabilidade na infraestrutura informática das organizações.

Vendas de dados, ataques de ransomware, vendas de acessos, vendas de dados e data breaches figuram entre os principais tipos de operações criminosas registadas. Segundo os especialistas, é expectável que nos próximos meses este tipo de atividade tenderá a crescer contra as empresas do setor automóvel. “A indústria automóvel está constantemente a implementar as tecnologias mais avançadas com o objetivo de automatizar e racionalizar os processos industriais e também incorporar as mais recentes características nos seus produtos”, afirmou Hugo Nunes, responsável da equipa de Intelligence da S21sec no nosso país. “No entanto, a automatização também traz consigo novos riscos no campo da cibersegurança que estas empresas devem ter em conta tanto sobre o IT como sobre o OT”, sublinhou o responsável.

Uma das ameaças é o chamado Ransomware, um tipo de ataque cujo objetivo é obter acesso a um ou mais computadores para encriptar a informação de um alvo, seja um utilizador ou uma organização, e exigir um resgate em troca da sua devolução. Este tipo de ataque constitui uma das principais ameaças que a indústria automóvel pode enfrentar. Até setembro do ano passado, registaram-se 41 ataques de ransomware contra organizações do setor - destacando-se o mês de março pelo elevado número de incidentes.

Este tipo de ataques evoluiu para técnicas de dupla e tripla extorsão. Num duplo ataque de extorsão, para além de encriptar os dados, os cibercriminosos ameaçam a vítima de publicar ou vender a informação que encriptaram. No caso de extorsão tripla, para além de ameaçar publicar dados roubados, o atacante pressiona com ataques de DDoS à infraestrutura tecnológica da vítima.

A venda de acessos iniciais na Deep Web também tem vindo a aumentar pelos denominados IABs (Initial Access Brokers), que são responsáveis pela obtenção de diferentes tipos de acesso às organizações - credenciais de acesso a equipamentos, acesso VPN ou RDP - através da utilização de diferentes táticas e técnicas, que depois vendem em vários fóruns ‘underground’ ou a afiliados de grupos Ransomware.

A S21sec constatou que várias bases de dados de empresas da indústria automóvel foram comprometidas. Aquela informação constitui um dos pilares fundamentais sobre os quais é mantido o modelo de negócio deste tipo de organizações Como sabemos, está relacionada com os produtos e serviços que oferecem e permite diferenciarem-se da concorrência, armazenando informação confidencial sobre planos futuros, os clientes, colaboradores, fornecedores.

Mais proteção é o caminho. Sim, para além da S21sec, tanto as empresas que prestam serviços de segurança informática, como os players da indústria automóvel, concordam que o reforço contínuo da segurança dos sistemas e da sua infraestrutura informática é o único caminho a seguir. Ainda que este tipo de protecção obrigue a avultados investimentos por parte das empresas, o que é uma contrariedade mais a somar a tantas outras com que a indústria automóvel já tem de lidar.

Publicado a 12 de janeiro de 2023
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12 de janeiro de 2023
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