Carros voadores: 6 motivos que adiam o futuro

4 min de leituraInovação
Uma das previsões para o século XXI apontava para o surgimento de carros voadores, para transporte particular. Mas isto ainda está longe de acontecer. Fique a saber porquê…
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Diversas exposições mundiais e obras de arte do passado, como a série de animação “Os Jetson”, projetavam uma sociedade do século XXI onde a mobilidade do dia-a-dia era feita através de carros voadores. Mas, como se pode constatar, ainda não se veem carros a voar sobre Alfragide, Braga, Évora ou Portimão. É que para além do sonho, sempre existiram vários aspetos que dificultaram a adoção deste tipo de mobilidade, e que podem explicar porque é que esta visão retrofuturista nunca chegou a acontecer.

Os grandes desafios na implementação de carros voadores

1. Design incompatível

Um veículo voador, seja de que tipo for, tem de ser leve e aerodinâmico. Isto nem sempre é compatível com as tecnologias dos veículos terrestres que temos. Os formatos de carros voadores dificilmente se enquadram nos formatos que um carro tem que ter, para estacionar ou circular em meio terrestre (seja com rodas ou a planar). Por este motivo, e pela complexidade do sistema, seria muito difícil produzir estes carros em série. O sistema de propulsão utilizado teria de garantir também levitação e descolagem/aterragem vertical feita com segurança, o que representa um desafio.

Olhemos, por exemplo, para um helicóptero. Este tipo de veículo voador, em teoria, desempenha a mesma função que um carro voador, mas as dimensões e sistema de voo seriam incompatíveis para uso particular no dia-a-dia. Os helicópteros são volumosos, ruidosos e provocam muito vento. Isto deve-se ao facto de não existir outra opção em termos de tecnologia, pelo menos de momento. Um carro iria sofrer destes mesmo problemas, tornando-se incompatíveis com o uso particular no dia-a-dia.

2. Eficiência enquanto solução de mobilidade

Os gastos de combustível são outra preocupação, isto sem sequer falar nas complicações implícitas de garantir que o veículo voa da maneira pretendida. Provavelmente teriam de ser utilizados combustíveis tradicionais - ou outros mais raros - dado que sistemas de hélices não são, para já, compatíveis com o formato de carro tradicional. Este veículo necessitaria também de maiores quantidades de combustível para se manter no ar e percorrer a mesma distância que os carros que existem no solo. Assim, um carro voador seria pouco eficiente, caro e bastante poluente - numa altura em que se aposta tanto na descarbonização.

3. Segurança preocupa

Um carro voador, contraditoriamente, conseguiria oferecer tanto mais segurança como menos. Pelo lado positivo, assumindo que não estava congestionado, o céu ofereceria muito mais espaço, menos veículos e menos obstáculos como edifícios ou peões, o que poderia ajudar a evitar acidentes. Por outro lado, qualquer acidente que pudesse ocorrer seria mais grave. Até no caso de falta de combustível, algo já referido como uma preocupação, as consequências seriam muito graves. Introduzir nos carros voadores a condução autónoma poderia ajudar a resolver alguns problemas, mas a tecnologia ainda não está disponível a este nível.

4. Custos irrealistas

Para a qualquer produção ser eficiente, tem de garantir baixos custos, alto desempenho e capacidade de produção em escala. Com estes carros, tal não é ainda possível, nem sequer há um plano ou esquema para seguir. Antes sequer dessa questão ser colocada, teria de se encontrar o design e componentes adequados. O custo do combustível, como foi mencionado, também é um fator contra a adoção deste tipo de mobilidade.

A verdade é que, mesmo depois de se implementar a mobilidade voadora, os custos de ter um destes carros seria alto, pelo menos durante os primeiros anos de produção. Isto poderia vedar o acesso de muita gente aos carros voadores e impedir a sua desejável vulgarização.

5. Legislação que não existe

Teria de haver uma legislação muito restrita para a circulação de carros voadores. Sem estradas, sinais ou marcas, operar um carro voador parece conferir mais liberdade na condução. Mas esta mesma liberdade pode dar lugar a acidentes, se não existirem regras para a circulação.

6. Necessidade atual não justifica

De momento, não haveria assim tantos benefícios em ter um carro voador, especialmente considerando os problemas que este conceito enfrenta. Podemos olhar para o caso do Segway, um veículo que prometia revolucionar a mobilidade. Este foi muito bem recebido, mas os pouco benefícios que oferecia, juntamente com o custo elevado e com a falta de adaptação da via pública, foram suficientes para comprometer a massificação do projeto. O carro voador sofre de muitos dos mesmos problemas, tal como foi referido nos pontos anteriores.

Pelo menos, com as ofertas tecnológicas atuais, não há grandes benefícios em ter um carro voador. Os veículos tradicionais estão cada vez mais eficientes e convenientes. E, para viagens alternativas, existem comboios, aviões e helicópteros.

Ficamos de olho no futuro

Não é por não existirem veículos voadores particulares que isso não possa vir a acontecer. Um dia, poderá haver avanços suficientes que seja possível a eletrificação dos carros voadores, o que poderá resolver o problema da poluição e dos acidentes, se for combinada com condução autónoma e medidas de segurança adequadas. Corrigidas as limitações atuais, é possível que este sonho se torne de facto realidade. É que até há várias empresas, como a Uber ou a Boeing, que têm projetos para a implementação desta mobilidade voadora no transporte de passageiros.

Publicado a 21 de junho de 2022

21 de junho de 2022
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