Empresas apostam cada vez mais na mobilidade elétrica

LeasePlan divulga conclusões do 2.º estudo de Motorizações

  • Eletrificação automóvel no topo da agenda dos gestores de frotas
  • 65% dos veículos eletrificados tem um custo total de utilização mais baixo do que os veículos a combustão, um ganho de 12% face a 2018
  • Elétricos ganham em impostos, custos de energia e manutenção
  • O Renting tem sido um driver para a transição elétrica
  • Portugal apresenta taxas de penetração de veículos elétricos acima da taxa europeia
24 de Janeiro de 2020

A mobilidade elétrica  começa a ganhar alguma maturidade. Se compararmos com a 1ª edição do  "Motorizações: qual a mais eficiente?”, em que analisámos os mesmos segmentos e  quilometragens, verificamos em primeiro lugar, que, passado apenas um ano, já  existem soluções 100% elétricas para todos os segmentos analisados. Em segundo  lugar, assistimos também a um ganho de competitividade assinalável das  propulsões 100% elétricas em muitos segmentos e, para vários perfis de  quilometragem, em particular no segmento dos utilitários, muito alavancado pela  clara aposta dos construtores automóveis em versões elétricas das suas opções  citadinas. Estas são algumas das conclusões do estudo anual “Motorizações” junto  de empresas com frotas entre 75 a 200 veículos.

Considerando que os 8  segmentos do estudo representam 86% da frota do mercado de renting (Utilitário,  Pequeno Familiar SUV, Pequeno Familiar Generalista, Pequeno Familiar Premium,  Médio Familiar Generalista, Médio Familiar Premium, Grande Familiar e Pequeno  Furgão), constatamos que os ganhos de competitividade dos veículos elétricos e  plug-in aumentaram comparativamente ao estudo do ano passado. Se tivermos em  conta a quilometragem mais escolhida pelas empresas (30.000 km/ano), juntamente  com o peso relativo de cada segmento nas frotas, passámos de uma situação de  53% de perfis de utilização em que o veículo eletrificado exibia um TCO  inferior aos restantes em 2018, para os atuais 65% em 2019, um acréscimo de 12%  em apenas um ano.

De referir ainda que, na  análise deste ano, a propulsão a diesel deixa de ser competitiva no segmento  dos utilitários, e perdeu quota de 2018 para cá, quando no ano passado era a  mais competitiva em 5 dos 7 perfis de utilização considerados.

Uma  outra análise relevante para as frotas é perceber onde estão as principais  diferenças de custos entre um veículo diesel e um 100% elétrico. Assim, o que  se percebe e conclui é que, globalmente, os custos de utilização de um veículo  100% elétrico são na verdade mais baixos do que os de um veículo diesel  equivalente. A competitividade do veículo elétrico face ao diesel está  alicerçada em 3 componentes muito importantes do TCO (ou custo total de  utilização): impostos, custos de energia e custos com a manutenção.

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Principais conclusões por segmento: **

  • No segmento dos Utilitários, a oferta a gasolina é a  mais competitiva até aos 25.000kms/ano. Dos 25.000kms/ano para cima, a oferta  mais competitiva deixa de ser a propulsão a Diesel e passa a ser a propulsão  elétrica. Na quilometragem mais habitual das frotas (30.000kms/ano), o modelo  elétrico apresenta um TCO 5% mais competitivo que a propulsão seguinte  (híbrida). De referir ainda que continua a não existir oferta de modelos  híbridos plug-in.
  • No segmento de maior  crescimento de todo o setor automóvel – Pequeno  Familiar SUV – a oferta de soluções é completa, desde motores 100%  elétricos a motores a combustão. Na análise do TCO mensal, a versão gasolina é  a opção mais vantajosa para quilometragens inferiores a 15.000kms/ano e a  partir desse ponto o Diesel é a opção mais económica.
  • O segmento dos Pequenos Familiares Generalistas também  dispõe de uma oferta de propulsões completa. Tal como em 2018, a solução a gasolina é a mais vantajosa até aos 15.000km/ano; nos 20.000km/ano estamos num  ponto em que se verifica um equilíbrio de três soluções (Gasolina / Diesel / Elétrico). Acima dos 20.000km/ano o modelo elétrico exibe os menores custos  totais de utilização.
  • A oferta de propulsões  para o segmento dos Pequenos Familiares  Premium também é completa. Se em 2018 a versão a gasolina era a mais  competitiva até aos 30.000kms/ano, este ano a versão a Diesel é a mais  vantajosa. De facto, com base na análise quilométrica, a solução gasolina é a  mais competitiva para os 10.000kms/ano, acima desta quilometragem e até  35.000kms/ano o veículo Diesel é o mais competitivo e a partir dai o elétrico  tem o melhor custo total de utilização.
  • No segmento Médio Familiar, que também dispõe de uma gama completa de propulsões, na análise quilométrica o veículo elétrico é o mais competitivo, exceto para quilometragens entre os 10.000km/ano e os 20.000 km/ano, onde a versão a Gasolina se apresenta como a mais competitiva. Acima dos 25.000kms/ano, os modelos eletrificados são os mais competitivos, com vantagem para os 100% elétricos.
  • No segmento Médio Familiar Premium,  independentemente da quilometragem, as versões 100% elétrica e plug-in são as  mais competitivas. Na quilometragem mais habitual para as frotas (30.000kms/ano),  a diferença de TCO da versão a Diesel para a versão elétrica são 19% ou 188  euros mensais.
  • No segmento Grande Familiar Premium a versão  plus-in a Diesel é a mais económica face a todas as outras motorizações e  também para todas as outras quilometragens.
  • O segmento dos Pequenos Furgões não dispõe de soluções  híbridas e híbridas plu-in, permanecendo o veículo a diesel como o mais  competitivo para todas as quilometragens.

Assim, a procura por  veículos eletrificados tem-se intensificado ao longo dos anos, no entanto,  mesmo havendo crescimento, a taxa de penetração dos veículos eletrificados  globalmente é de apenas 2,2%. Portugal apresenta taxas de penetração de 3,3%, acima da taxa europeia (1,8%).

Já o mercado de renting  nacional tem exibido um crescimento de veículos eletrificados mais rápido do  que o registado pelo mercado português como um todo e, neste sentido, o renting  tem sido um driver para a transição  elétrica. Podemos constatar também que nos últimos 3 anos, o renting tem  privilegiado os veículos 100% elétricos, enquanto no mercado nacional os  híbridos plug-in têm tido a preferência dos consumidores.

Um dos fatores que mais  tem afetado a procura por veículos eletrificados no mundo inteiro é o conjunto  de incentivos governamentais para a transição elétrica. Para além dos apoios na  compra, os governos também podem desenvolver políticas fiscais que discriminem  os veículos eletrificados de forma positiva, sendo esse o caso português, “embora  com realidades diferentes para particulares e empresas”, comenta Pedro Pessoa,  que acrescenta ainda que “para que a transição seja feita nos particulares,  constatamos que o incentivo fiscal às empresas pode ser algo a considerar para  este mercado também”.

Nesse sentido, do ponto  de vista do custo, a fiscalidade verde trouxe competitividade aos veículos 100%  elétricos e aos híbridos plug-in.

Uma das formas de  auscultação alargada do mercado que temos é o LeasePlan Mobility Monitor, uma pesquisa anual que recolhe opiniões  dos consumidores e das empresas sobre os temas mais prementes que o setor da  mobilidade enfrenta e que incluiu Portugal, com os  condutores portugueses a revelarem ser dos  mais positivos em relação aos carros elétricos, com 87% a referirem que têm uma  atitude muito positiva quanto à mudança para VE e 51% a confirmarem que têm  intenção de mudar para um elétrico na compra do próximo veículo.

Existe um saudável  apetite do mercado português para a transição para o veículo elétrico, onde  tanto as empresas como os particulares revelam uma preocupação ambiental, mas  também reconhecem na mobilidade elétrica uma oportunidade de diminuição dos  seus custos com energia/combustível.

**O setor e o combate às alterações climáticas

** Com o tempo, e dada a  pressão governamental para a contenção das emissões de CO2, muito tem de mudar,  principalmente tendo em conta a urgência climática reconhecida no Roteiro para  a Neutralidade Carbónica. A LeasePlan tem também o seu “roteiro para a neutralidade  carbónica”, a diferença é que a meta é 2030, ano em que tem como objetivo  atingir zero emissões na sua frota total. Os principais elementos da estratégia da LeasePLan incluem a sensibilização dos clientes sobre what’s next em veículos de baixas emissões, facilitando a adoção de  veículos de baixas emissões com propostas atrativas para os clientes  desenvolvidas pelo LeasePlan Electric Vehicle Experience Center. A LeasePlan é também membro fundador da EV100, uma nova iniciativa de negócio global projetada  para acelerar a aceitação de veículos elétricos e as suas infraestruturas,  lançada pelo The Climate Group no âmbito da Assembleia Geral da ONU em  setembro.

O setor dos transportes é  responsável por 25% das emissões de gases de estufa em Portugal. Por sua vez, o  subsetor dos transportes rodoviários representa cerca de 96% das emissões dos  transportes. Tendo em conta que as frotas vêm assumindo uma quota cada vez  maior dos automóveis no nosso país, face aos objetivos fixados pelo Governo no Roteiro para a Neutralidade  Carbónica 2050, a LeasePlan assume como seu objetivo estratégico a  antecipação da neutralidade carbónica das frotas dos seus clientes para 2030,  adiantando-se assim em 20 anos face ao objetivo nacional.

Considerando as metas do  Acordo de Paris e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, a verdade é  que, mesmo considerando que estes apresentam objetivos demasiado ambiciosos, se  olharmos para o stock de veículos a circular por motorização, somos obrigados a  acelerar a transição para motorizações mais sustentáveis por todos os meios ao  nosso alcance. Com efeito, em 2021, 90% de veículos de passageiros a circular  nas estradas europeias ainda serão a combustão; este número baixa para 70% em  2025 e para uns ainda relevantes 50% em 2030. Depois de 2030, teremos 20 anos  para tirar da estrada os restantes 50% de veículos a combustão.

Há um aspeto relevante que é o facto das conclusões do  estudo diferirem quando se analisa as grandes em comparação com as pequenas e  médias empresas, onde a transição para a eletrificação é mais favorável já que nestas  não existe grande elasticidade nos descontos das Marcas e a competitividade dos  elétricos ganha assim mais relevo.

Pedro PessoaDiretor Comercial da LeasePlan Portugal
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