Marte e Terra

Combustível em Marte: Qual é a solução para encher o depósito?

2 min de leituraInovação
A exploração de Marte é um dos temas do momento. Como sabemos, há vários projetos em curso, mas que esbarram no mesmo problema. A distância é longa e não há como dispor de combustível para assegurar a ida e o regresso. É preciso produzir combustível em Marte. O gás metano parece ser a solução.
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Nos últimos anos temos assistido a diversas notícias que nos sugerem uma nova corrida ao espaço. Chegar a Marte e poder explorar este planeta, até para fins comerciais, é um dos objetivos destes projetos. Mas o combustível, que permite fazer estas viagens, é um problema que está a desafiar as equipas de engenheiros aeroespaciais envolvidas. A pergunta é simples: qual a melhor solução para garantir que haja combustível suficiente em Marte para fazer a viagem de regresso.

Os vários projetos de exploração e colonização do planeta vermelho ainda não conseguiram garantir que existe combustível suficiente para tudo. Como sabemos, as viagens interplanetárias requerem uma enorme quantidade de combustível, e este é difícil de transportar. Para solucionar este problema, têm vindo a surgir abordagens inovadoras para tornar possível a produção de combustível em Marte. Têm por base a utilização de componentes encontrados no próprio planeta, em especial o gás metano. Já foi confirmada a existência deste gás no planeta, e este também pode ser produzido através da água congelada e do dióxido de carbono (CO2), já avistados em Marte.

Gás metano parece ser a solução

A ideia de criar combustível à base de metano não é nova, mas a forma de o produzir nunca foi considerada muito eficiente. Elon Musk, o conhecido CEO da Tesla e da SpaceX, propôs utilizar uma infraestrutura solar para gerar eletricidade e, consequentemente, ajudar a desencadear a eletrólise de CO2. Este, uma vez misturado com a água do gelo de Marte, geraria gás metano. A empresa SpaceX está até a testar um motor - o Raptor - nos seus foguetes de propulsão que são alimentados por combustível à base de metano.

O combustível seria produzido utilizando um método denominado Reação de Sabatier, também em uso na Estação Espacial Internacional - para a produção de oxigénio a partir da água. Um estudo publicado na revista Nature testou uma outra abordagem, que utiliza cobre como catalisador. Mas o processo nem sempre se revelou muito eficiente.

Já Houlin Xin, professor assistente de Física e Astronomia na Universidade da Califórnia Irvine, teorizou que, utilizando zinco como catalisador, a produção de combustível seria mais eficiente. Segundo Houlin Xin, o zinco atua como uma enzima sintética, capaz de catalisar o CO2 e iniciar o processo numa só etapa. Ao contrário de outros métodos, poderia utilizar-se um dispositivo mais compacto e portátil que os exigidos tradicionalmente. Xin considera que o zinco é um elemento com muito potencial para viagens espaciais, dada a sua seletividade e portabilidade. Poderia ser mesmo o elemento-chave nesta ideia de produção de combustível a partir do gás metano.

Ideias a confirmar

Apesar de inovadoras, estas ideias ainda precisam de ser desenvolvidas e devidamente testadas. Os resultados parecem ser encorajadores, mas ainda há muita pesquisa por fazer e outros tantos testes capazes de confirmar a sua efetividade.

Mas o desenvolvimento destes processos também poderá trazer benefícios ao nosso próprio planeta. É que ao utilizar CO2 para gerar metano, também se consegue produzir um combustível reutilizável e reduzir a presença deste gás nocivo na nossa atmosfera. Isto tem consequências positivas na redução do efeito de estufa.

Publicado a 30 de maio de 2022

30 de maio de 2022
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